domingo, 12 de junho de 2011

Ela me amedronta.

Ela me amedronta.
Com seu metro e sessenta de altura, ainda tendo de levantar o rosto para me fitar, eu me sinto como se ela estivesse infinitamente acima de mim.
A frieza da sua pele, alva demais, é tão intensa como um punhal de gelo que poderia adentrar a minha pele a ponto de fazer estragos.
Os seus cabelos vermelhos, quando ao vento, provocam chamas em qualquer coisa que estiver por perto. Logicamente, isso se aplica a mim. Eu mal tenho coragem de tocá-los. O sol deve morrer de inveja.
O seu rosto é um desenho com traços milimetricamente planejados para atrair a qualquer coisa viva que possa se mover. Transborda uma meninice capaz de derreter qualquer coração, mas quem se aproxima, se arrepende: é letal.
Seus olhos sempre foram o maior mistério para mim. O azul do céu parece sem graça demais perto dela. O seu olhar transmite astúcia. É expressivo e misterioso. É impossível saber o que se passa pela cabeça dela. Um simples olhar aprisiona você por tempo indeterminado. E acredite: não importa o quanto você tente, não é algo evitável.'
Sua voz possui tal sonoridade que, quando ela fala, parece uma música. E quando ela fala...Ah!...Quando ela fala eu já não sou o mesmo. Qualquer habilidade de fala e de locomoção fica sériamente comprometida.
Essa menina é o ser mais letal existente no mundo.
Ela não tem veneno, não tem garras e nenhum tipo de força absurdamente grande.
Mas só a imagem dela é capaz de roubar a sua alma.
E daí não tem mais volta.
O que mais me amedronta não é tão somente a extraordinariedade que compõe todo o seu ser.
Eu temo pelo fato de que ela parece gostar de mim.
Temo pela minha vida.
Pela minha alma.
E ainda assim não consigo deixar de pensar que é só um sonho e que, a qualquer momento, eu acordarei.
Porque não pode ser real.
Essas coisas não acontecem.



Jéssica A

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