sábado, 18 de fevereiro de 2012
Ele chegaria em apenas alguns segundos.
Já era o suficiente para que todas as lembranças que eu tinha bailassem em minha mente em uma confusão desenfreada.
Eu me lembrava muito claramente da primeira vez em que o havia visto. Ele tinha a pele muito branca que fazia um contraste com os seus cabelos e olhos escuros.O seu olhar era hipnotizante...Enigmático.Tudo nele, tudo era atrativo para mim.A forma como ele cruzava os braços ou trocava seu peso entre as pernas.A forma como ele movia seus lábios ao falar e as suas várias formas de sorrir.A forma como ele andava sem sequer olhar para os lados.A forma como ele levantava a sobrancelha quando lhe diziam algo que desaprovava...Ele era completamente sedutor e parecia não ter a menor consciência disso.
Ele me deixava intrigada, e quanto mais de sua presença eu tinha, mais queria ter. Eu me pegava rindo sozinha só de lembrar que ele existia. Eu tentava não olhar demais para ele e tentava obrigar o meu sangue a não se concentrar tanto em minha face a cada vez que ele percebia. Não tinha importância que ele não soubesse nada sobre mim. A simples proximidade com ele já me deixava feliz.
Sim, provavelmente eu me afundaria no final. Claro que eu sabia disso. Eu apenas não me importava.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Fotografia
Fotografava porque através das câmeras o mundo era como um sonho bom.
As paisagens eram como música. Vivas. Belas.
Todos os sorrisos do mundo traziam esperança.
Não existia qualquer tipo de dor.
Não existia fome, mentiras ou tristeza.
Fotografava porque era como fugir.
Porque imaginar era uma forma disfarçada de mentir para si mesmo.
Ninguém percebia e ficava tudo bem.
You changed
Nós estávamos tão apaixonados.
Esperava que o meu amor por você fosse capaz de fazer-me forte, confiante, feliz.
Mas, por algum motivo, eu me sentia como se meu coração fosse acabar-se em estilhaços a qualquer deslize seu.
Era errado e doentio. E sempre tive plena consciência disso.
Não sei que tipo de força exterior faz com que as pessoas permaneçam dentro por tanto tempo.
Talvez todas aquelas sensações. O sentir-se 'vivo'. A idéia bonita de se estar apaixonado.
O coração batendo forte, a admiração, segurança e intimidade.
É esplêndido e grandioso. Inexplicável. Em grande parte do tempo você se sente invencível. Tão invencível que ignora qualquer indício de erro ou defeito. Vale á pena passar por cima de tudo? Depois que tudo se acalma. Depois que a paixão se transforma em amor. Definitivamente.
Então você mudou.
Fugazmente, sem qualquer aviso, indício ou processo de transição.
Do dia para a noite você tinha o mesmo nome, o mesmo corpo, mas era uma pessoa totalmente diferente.
Ah, e tinha mais!
De repente você era uma pessoa melhor.
Uma pessoa tão boa, mas tão boa, que fazia com que toda a crueldade do mundo passasse a parecer muito mais dura e fria.
Passar alguns segundos contigo só me fazia perceber o quão imperfeita, errada e egoísta eu era.
Eu senti que tudo em mim era falso. Minha história, meu estilo, meus ideais e tudo aquilo que me fazia sofrer. Eu era muito pouco para você. Você era muito para mim.
Você impôs o seu novo 'eu' de forma feroz e repentina.
O mais irônico é que eu me senti ofendida por você não ter comunicado essa transformação.
Você mudou todas as suas perspectivas de futuro e esqueceu-se de se perguntar se eu tinha a pretensão de estar nelas e se eu aceitaria as suas condições. É que toda a nova carga emocional passou a ficar muito mais pesada. E tudo que eu me senti foi oprimida, já que a minha opinião não foi consultada uma vez sequer.
Mas o que posso dizer?
Eu não tenho direito algum de argumentar sobre isso.
Você não tinha obrigação alguma de me preparar para nada.
Mas é que da última vez em que estivemos juntos o meu coração não reconheceu você.
Ele não disparou ou se encheu de toda aquela felicidade intensa e desordenada.
Como se você fosse outra pessoa.
E você não era, afinal de contas?
A questão é que, no fim de tudo, continuo sendo eu mesma.
Eu sou imperfeita, errada, e egoísta.
E as coisas que me afligem são tão efêmeras que não deveriam.
Nunca foi nada demais.
Você era tão imperfeito quanto eu. E, de certa forma, sabíamos como enxergar o melhor do outro.
Mas agora você me vê de forma tão mais clara.
Os seus olhares e palavras são acusadores.
E não adianta o quanto você queira.
Mesmo que eu tentasse.
Eu não vou me adequar.
Nós estávamos tão apaixonados.
Mas agora você é uma nova pessoa.
Uma pessoa melhor.
E eu não sei dizer se a parte de mim que amava o que você foi é capaz de amar o que você é agora.
É confuso e dói bastante.
Eu amo tanto que só de pensar tenho vontade de chorar.
Mas não sei mais exatamente qual parte de você eu amo.
Tenho medo de essa parte desaparecer.
E eu me esquecer totalmente de como eu me sentia antes.
E agora?
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