domingo, 24 de junho de 2012
Defeitos
Dizem que quando você se apaixona os defeitos da outra pessoa se camuflam em meio a uma infinidade de qualidades que se idealiza.
Mas eu percebia os defeitos dele com impressionante clareza.
Para começar ele tinha duas personalidades.
Poderia ser gentil, em grande parte do tempo, mas era impossível ignorar aquele seu eu frio e distante.
Ele era impulsivo e tinha sérios problemas em controlar a sua raiva.
Ele nunca fora muito romântico.
Eu poderia dizer, é claro, que a forma doce como ele me olhava, ou o seu cavalheirismo forçado eram suficientes para anular todo e qualquer defeito.
Poderia dizer que a forma desesperada com a qual ele tentava chamar a atenção para si, ou o seu empenho para me impressionar eram meigos o suficiente para torná-lo algum tipo de príncipe encantado.
Mas eu estaria mentindo.
Ele era cheio de defeitos... Assim como eu.
Defeitos imperdoáveis.
Isso sem falar sobre o quão diferentes éramos.
Então não era como se eu não percebesse os seus defeitos.
E os percebia o tempo todo.
Eu apenas não me importava.
Estar com ele era o suficiente. Como se nos completássemos em defeitos e qualidades.
E, de alguma forma, aquilo funcionava.
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